Necessidade de diálogo entre elos da cadeia marca primeiro dia da Reunião de Trigo

Necessidade de diálogo entre elos da cadeia marca primeiro dia da Reunião de Trigo

 

 

Começou hoje, em Cascavel, a 11ª Reunião da Comissão Brasileira de Pesquisa de Trigo e Triticale e o Fórum Nacional de Trigo 2017. A necessidade de unir a cadeia produtiva em busca de soluções eficientes para a triticultura foi tema recorrente nos debates realizados. 
 
O presidente do evento, Francisco de Assis Franco, chamou atenção para o tema, já em sua fala de abertura: “Temos área disponível e temos condições de produzir trigo para atender a demanda interna. Falta uma política definida para a cadeia para que possamos atingir essa meta”. 
 
Além dele, participaram da cerimônia de abertura o diretor geral da Coodetec, Renato Dias; o diretor de pesquisa do IAPAR, Tiago Pellini; o chefe geral da Embrapa Trigo, Osvaldo Vasconcellos Vieira e o presidente do Conselho Deliberativo da ABITRIGO, Marcelo Vosnika. 
 
Futuro do trigo no Brasil: soluções para o crescimento
A necessidade de diálogo entre os diferentes elos da cadeia produtiva - pesquisa, produtor, indústria e governo - continuou como ponto central do painel “O futuro do trigo no Brasil: soluções para o crescimento”. Participaram do debate, o diretor administrativo da Coodetec e presidente da BRASPOV - Associação Brasileira dos Obtentores Vegetais, Ivo Carraro; o pesquisador da Fundação Agrária de Pesquisa Agropecuária - FAPA, Juliano Luiz de Almeida e o produtor rural João Luiz Ferri, de Campo Mourão. O Gerente Técnico e Econômico da GETEC – OCEPAR, Flávio Turra foi o moderador.
 
Carraro falou sobre a necessidade de políticas públicas que fomentem a produção nacional, garantindo mais segurança para o produtor. “Políticas como fixar o preço mínimo do trigo para os próximos dois anos com base no custo operacional de produção podem nos ajudar a expandir a produção nacional gradativamente até atendermos a demanda interna”. 
 
Responder a essa demanda interna requer um diálogo e entendimento entre a indústria moageira e o produtor de trigo. Historicamente, a indústria defende a compra de trigo importando, usando a qualidade do grão e a falta de segregação por qualidade da produção nacional como argumentos. “Precisamos realmente entender por que a indústria prefere comprar o trigo importando e buscar solucionar seu problema internamente. Precisamos produzir em contato com a indústria, aplicar melhores técnicas de produção e manejo, praticar a segregação por qualidade, ainda manter baixo nível de micotoxinas no grão”, pontua. 
 
Dentre as vantagens apontadas por Carraro no incentivo à produção nacional, estão: “diluição do custo das culturas de verão, rotação de cultura e manejo de solo mais eficaz, aumento na oferta de emprego, aumento no investimento interno e racionalização do uso da estrutura de armazenamento”. 
 
Para o pesquisador da FAPA, Juliano Almeida, é importante observar que o Brasil é um dos poucos países do mundo (ao lado da Índia) a ter desenvolvido tecnologias para o cultivo do trigo em condições subtropicais e tropicais. Razão pela qual as doenças do trigo no Brasil são mais severas do que em outros países de clima temperado, elevando o custo de produção e diminuindo nossa competitividade na cultura. “Temos que continuar a investir em melhoramento genético para obter não somente cultivares mais produtivas como também mais tolerantes às principais doenças, ainda melhorar nossa tecnologia de aplicação de fungicidas para evitarmos desperdícios e sermos mais sustentáveis”, afirma. 
 
O produtor João Luiz Ferri chamou atenção para o olhar que o agricultor brasileiro tem sobre a triticultura e defende que é preciso combater o raciocínio imediatista, comum aos produtores, para que eles realmente entendam a importância do trigo como cultura de inverno “O produtor precisa ser incluído neste debate e só será se falarmos de maneira efetiva em plantio direto, rotação de cultura e sustentabilidade”. 
 
João Luiz encerrou o painel enumerando as vantagens de se plantar trigo no sistema de rotação de culturas. Ele destacou as principais: cobertura de solo por um período maior (de 6 a 8 meses), menor custo de dessecação para implantação da cultura sucessora e a reciclagem de nutrientes. A rotação de princípios ativos e moléculas utilizadas garantem economia e sustentabilidade para a lavoura, “alguns princípios ativos que uso na cultura do trigo ajudam a diminuir a população de menatoide ou então a controlar a buva e o amargoso na soja”, explica. 
 
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